Dona Valentina estava quase fechando o caixa quando um jovem mascarado apareceu afobado. Puxou rapidamente uma arma da calça e apontou-a para Valentina.
-Isso é um assalto!
-Tá, isso eu sei. Mas qual dos produtos?
-Como é, dona?
-Eu sei que os preços da loja são um assalto, mas eu preciso saber qual o produto pra eu ver se posso dar desconto.
-Não, eu quero dizer assalto assalto. Tipo, um roubo.
-Ah, meu marido é político, saquei. Você tava com uma arma na cueca, geralmente levam dinheiro.
-Eu não tô de brincadeira, dona, passa tudo!
-Vou passar sim. Tá cheio de roupa lá em casa, só o que vou fazer essa noite é passar aquela pilha. Você tá usando uma máscara por baixo dessa máscara, meu filho? Num sei se cê tá sabendo, mas tá com uma doença por aí.
-Eu sei, essa é a única loja aberta que tinha pra assaltar - disse o jovem batendo a mão na mesa - agora passa tudo, dona!
-Ave Maria. Você bateu no meu balcão. Você lavou sua mão antes disso, meu filho? Pegou a arma que tava no cu e agora tá batendo no meu balcão. Eu te ofereceria álcool em gel, mas já acabou faz é tempo. Você quer o dinheiro do caixa, é isso?
-É isso!
-Pois cê vai me desculpar que no caixa não tem dinheiro não que a gente só tá aceitando cartão de crédito pra não ter que ficar esterilizando as coisas que vem de fora. Só pra ter certeza, você pode ter filho?
-Tá dando em cima de mim, dona?!
-Não, eu quero saber se você é estéril ou se eu vou ter que te esterilizar - Dona Valentina puxou uma Tesoura debaixo do balcão.
O jovem saiu da loja e guardou sua arma de plástico de volta na calça. Agora entendeu o porquê daquela loja continuar aberta naquela época - só tinha gente doida.

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