No supermercado local o caos se instaurou. Após saber que a Pabllo Vittar trouxe uma doença da China e avisou pro Ronaldinho Gaúcho ir se esconder no Paraguai, Dona Neide espalhou pra todo o grupo de whatsapp das véia e, depois de dois dias, podia-se ver aquele clássico do cinema americano ao vivo: todo mundo em pânico.
No corredor do álcool, tudo foi levado. Álcool em gel era luxo pra gente precavida, mas ninguém foi impedido de comprar Skol Beats, Vodka, Conhaque. Somente um tipo de cerveja continuava nas prateleiras: Brahma, porque é ruim pra cacete. Dona Neide só bebia o vinho da comunhão, mas nessa semana tava competindo com seu marido pinguço pra ver quem secava uma garrafa de cana primeiro. Tudo pra se prevenir da doença. Seu Arnaldo adorou.
No corredor do papel higiênico nunca se viu tanto movimento. Parece que somente nesse momento as pessoas entenderam porque quando políticos roubam muito dinheiro eles colocam na cueca. O cu da população tava tão valorizado que acabou-se o estoque de lenço umedecido, papel toalha e - pasmem - de folha de bananeira. A quantidade de merda que estão espalhando nas redes sociais é gigantesca, então é plenamente entendível.
No corredor de comidas Light um movimento nunca antes visto! Duas pessoas compravam desesperadamente tudo o que podiam. Normalmente só seria vista uma no corredor - e se pesando - o supermercado até marcou recorde em seu registro anual.
Nos caixas nunca se viu tamanho comunismo escancarado, dizia Dona Neide. Os atendentes pareciam que tinham nojo do dinheiro e ficavam lavando as mãos sempre que pegavam nas notas do povo - parecia que a doença era o capitalismo!
Depois de estocar tudo o que podia, Dona Neide se sentiu uma heroína por seguir tudo que seu zap falou. Resolveu se recompensar e ir ao bingo no final do dia com seu marido bêbado. Lá o seu Rogério - operador do bingo - espirrava entre um número e outro. Mas a velharada da cidade estava tranquila, pois antes dos sorteios ele gargarejava água quente com vinagre.
Tempos bons para estar na melhor idade.
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