-Alô, quem fala?
-Aí, dona. Tamo com teu filho aqui!
-Ai, minha nossa Senhora. Tão com o Leandro?
-É! Tamo com o Leandro! E se a senhora quiser ver ele de novo vai ter que fazer o que a gente mandar!
-Ele tá dando trabalho?
Silêncio ao telefone
-Desculpa, como é que é?
-O Leandro. Ele tá dando trabalho?
-E o que é que isso importa? Ele tá todo amarrado aqui!
-Ai, então ele tá dando trabalho. Esse menino num presta não, visse? Tá gordo que só um leitão, deve ter dado um trabalho danado pra amarrar.
-É... deu sim, mas a questão não é essa, dona! Se tu num fizer o que a gente mandar...
-Ele comeu?
Silêncio
-Como é?
-O Leandro. Ele comeu? Ele tá de dieta não é pra vocês deixarem ele comer não, viu?
-Ele tá sem comer já tem três horas.
-Não sei como ele ainda não comeu a cadeira.
-Escuta aqui, dona. Nós sequestramos o seu filho. Sequestro, entendeu? Você vai ter que nos dar grana e...
-Ah, mas vocês podem ficar com ele.
-Senhora, a senhora sabe o que é sequestro?
-Ah, sei sim. O Leandro já é bem grandinho pra tá sendo sequestrado, meu filho, mas se é isso que ele quer da vida dele, quem sou eu? Sou só a mãe, num é? Mas vou rezar três ave maria e um pai nosso. Cês cuidem dele, viu? Ele tem que tomar remédio pra corticoide de seis horas.
-E... e o dinheiro?
-Tem não, meu filho. Fala pro Leandro sacar quando voltar pra casa. Um chero.
Rosana desligou o telefone com a felicidade da mulher que não tem filho.
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